Gaian Jornal


A QUEM POSSA INTERESSAR

 

Visite o site de Ecologia Integral (integral-ecology.net). Oferecemos um Curso Intensivo sobre Ecologia Integral (1 mês), e Workshop (3 dias) na sua Instituição, Universidade,  ou Comunidade. Para maiores informações, consulte-nos.

 

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Escrito por Redação Gaian às 20h24
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O Gaian Institute (http://www.gaianinstitute.org) é uma organização sem fins lucrativos, que promove através da educação e pesquisa, sociedades mais pacíficas, justas, participativas e ecologicamente conscientes.

 

A missão do Gaian Institute é trabalhar a favor de uma Sociedade, na qual os seres humanos se identifiquem não somente com a comunidade local, mas também com a comunidade global do Planeta.

 

O Gaian Institute explora formas alternativas de desenvolvimento sócio-econômico através da pesquisa integrada (interdisciplinar), da educação comunitária e formas de sistemas adaptativos de governos.

 

As Universidades, Instituições brasileiras, ONG’s, cientistas, pesquisadores, professores, estudantes e demais interessados no Gaian Institute e no tema em referência, poderão contactar com:

 

                                                    

EUA, e-mail:  contact@gaianinstitute.org

 

Brasil,  e-mail: gaian_institute@yahoo.com.br

 

Portugal,  e-mail: gaian_portugal@yahoo.com.br



Escrito por Redação Gaian às 22h40
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A grande obra do governo: o projeto São Francisco
Arlete Moysés Rodrigues *
 
O Projeto de Integração do Rio São Francisco com as Bacias do Nordeste Setentrional, que pretende ser empreendido pelo governo Lula, sobretudo pelo Ministério da Integração Nacional, da maneira como está sendo proposto é um equívoco. Este projeto localiza-se em área de clima semi-árido, com pequena precipitação pluviométrica e temperatura elevada. A transposição de rios, córregos de uma bacia hidrográfica localizada em clima semi-árido provocará conseqüências que não estão sendo analisadas.
 
O que ocasionará “furar” a bacia do Rio São Francisco?
 
As análises consideram todas as possibilidades que a interferência na natureza provocaria na região?
 
Analisa-se a complexidade sócio-espacial?
 
Trata-se, na verdade, de um macro sistema de engenharia, onde o espaço é pensado de forma geométrica e não geográfica, ou seja, calcula-se a vazão para uma possível retirada, 3,5% da vazão total do Rio São Francisco, a capacidade das estações de bombeamento, a extensão dos aquedutos, o diâmetro dos túneis, e pouco, ou nada, se estuda sobre a complexidade sócio-espacial da região, sobre os impactos sociais.
 
Afinal, de que adiantaria levar água para uma região onde a concentração fundiária é, ainda, o principal obstáculo a ser transposto?
 
De que adiantaria levar água para uma região onde as pessoas não têm terra?
 
E por último, quem usará essa água?
 
O problema fundamental é a cerca das propriedades, ou a seca?
 
Com o investimento previsto de cerca de 5 bilhões de reais, o Projeto de Integração visa inserir, ainda mais, a região Nordeste na Divisão Internacional do Trabalho. A região de influência dos eixos de transposição Norte e Leste, funcionará por uma racionalidade exclusiva do valor de troca em detrimento do valor de uso, transformando-se, assim, em mais um espaço da “globalização”. Verifica-se, assim, que a forma de atuação, intervenção nas bacias hidrográficas não difere do processo geral de apropriação e propriedade e do ideário do desenvolvimento entendido como progresso. Essas intervenções são analisadas como se formassem um circuito fechado do empreendimento que se pretende implantar.
 
Mas a natureza não tem fronteiras estabelecidas pelos homens nem seu tempo é semelhante ao tempo social. A transferência de água de uma bacia para outra, de uma área da bacia para outras regiões é considerada apenas em aspectos pontuais sem considerar a complexidade do que ocorre e ocorrerá com esses processos.
 
Genericamente os estudos aparecem mais como um conjunto de justificativas para os empreendimentos com propostas de mitigações de intervenção definidas a priori pelos empreendedores públicos e privados. Consistem em repor vegetação, implantar pequenos parques em outros locais ou nas vizinhanças.
 
O efeito cumulativo e/ou indutor, o crescimento das atividades econômicas, a expansão das áreas ocupadas, o crescimento da população, a alteração de vazão dos rios em função da ocupação das várzeas, maior consumo de água, a evapo-transpiração, as alterações na infiltração das águas pluviais, considerando a impermeabilização, destruição das matas galerias em especial nas áreas de nascentes, etc., alterações climáticas mundiais, de micro-climas, não são sequer mencionadas.
 
Dada as formas de apropriação/propriedade de um elemento da natureza hoje escasso, procura-se gerir a natureza incluindo-se o que se chama de participação social nas audiências públicas dos Estudos de Impactos Ambientais (EIA), restritos ao empreendimento, utilizando-se das palavras mágicas, a busca do desenvolvimento sustentável. Não se tem notícia de análise de estudos prévia dos impactos de vizinhança ou do debate sobre os planos diretores de todos os municípios que serão atingidos como estabelece a Lei 10257/01 - Estatuto da Cidade - para averiguar se uma obra dessa envergadura atende aos princípios da função social da propriedade.
 
Para tratar da transposição do Rio São Francisco deve-se considerar que haverá uma alteração em toda a dinâmica territorial do país. Toda a sociedade brasileira deveria ter acesso aos propósitos e debater essa problemática e não apenas o que se define como áreas dos comitês da Bacia do São Francisco. Afinal, como já dito, a natureza não tem fronteira administrativa. Não é possível considerar válido que o que foi proposto na época do Império, tenha sido retomado no final do século XX e seja implementado no século XXI sem que se analise o impacto social, econômico, político, considerando o que se hoje se conhece dos processos da natureza e da sociedade.
 
 
* Arlete Moysés Rodrigues, Professora Livre Docente pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP, Professora Colaboradora no Instituto de Filosofia e Ciencias HUmanas e Instituto de Geociencias- Departamento de Geografia (professor Ms4- inativo mas continua orientando e ministrando cursos na pós graduação no IFCH e IG) .Possui pela Universidade de São Paulo graduação e licenciatura (1971)mestrado em Geografia -Geografia Humana- (1981) e doutorado em Geografia - Geografia Humana (1988). Concurso de Livre Docência pela UNICAMP. Pertence ao corpo editorial de revistas cientificas como Geotextos (UFBA) , - Terra Livre , - Revista Pos CPG- FAUUSP, - Cidades - Revista , - Crítica Marxista (São Paulo) , - Revista Oculum Ensaios e - Revista Três Pontos. Pesquisa e orienta em Geografia Humana em especial em Geografia Urbana. Principais temas e linhas de pesquisa: Cidade, Espaco Urbano, Estatuto da Cidade e sua aplicação no urbanos, Problemática Ambiental, Ambiente, Movimentos Sociais Urbanos. Conselheira no Conselho das Cidades representando a AGB-Associação dos Geógrafos Brasilerios. Participa da Coordenação do Forum Nacional pela Reforma Urbana.


Escrito por Redação Gaian às 22h40
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Europeus poderão emitir até 2 bi de toneladas de CO2 entre 2008 e 2012

da Efe, em Bruxelas

A Comissão Européia - braço executivo da União Européia (UE) - autorizou os integrantes do bloco a emitirem 2,08 bilhões de toneladas de CO2 (dióxido de carbono) ao ano no período entre 2008 e 2012. O índice representa 89% do que foi solicitado pelos países.

O processo de aprovação dos planos nacionais foi concluído nesta sexta-feira (26), quando o órgão anunciou suas decisões sobre os planos de emissões propostos por Romênia e Bulgária.

A UE autorizou valores de emissão equivalentes a 79,3% do que a Romênia havia pedido e a 62,6% do que a Bulgária requisitou.

As autorizações para toda a UE no período 2008-2012 são 2% inferiores às emissões totais verificadas de 2005 e 9,5% menores que o limite estabelecido no primeiro período destas cotas (2005-2007).

O sistema de cotas permite a compra de direitos adicionais de emissão para as quantidades que superarem os limites.

Kyoto

O comissário europeu do Meio Ambiente, Stavros Dimas, destacou em comunicado que a autorização total reduziu em quase 10% as dotações de emissões, o que "contribuirá de forma apreciável" para que a UE cumpra seus compromissos no Protocolo de Kyoto.

Sete países do bloco - Polônia, República Tcheca, Estônia, Letônia, Lituânia, Eslováquia e Hungria - anunciaram que recorrerão da decisão da Comissão na Justiça européia, em Luxemburgo.

Estes países tinham solicitado cotas muito maiores que as emissões de CO2 constatadas em 2005, por isso o órgão lhes atribuiu valores similares aos daquele ano.

Seis dos sete países já apresentaram a documentação ao tribunal, afirmou hoje a porta-voz do Meio Ambiente na Comissão, Barbara Helfferich.

 



Escrito por Redação Gaian às 13h18
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Mudanças climáticas são oportunidades para a América Latina, diz Nobel mexicano

da Efe, em Potsdam

 

O cientista mexicano Mario Molina, Prêmio Nobel de Química em 1995 por suas pesquisas sobre a camada de ozônio, afirmou nesta quarta-feira (10) que a mudança climática abre portas para um desenvolvimento "limpo" e sustentável na América Latina.

"Copiar o modelo de desenvolvimento dos países ricos será um erro, porque equivale a sujar para depois limpar", advertiu Molina, um dos 15 premiados com o Nobel reunidos em Potsdam para falar sobre como suavizar as conseqüências da mudança climática.

Para isso, destacou, o primeiro passo é mudar a convicção de que a mudança climática é um problema criado pelos países ricos e que tem de ser resolvido por eles. Segundo ele, "isso é verdade apenas em parte".

"A mudança climática afeta todo o planeta e todos os países do planeta têm de contribuir para mitigar seus efeitos por meio de um acordo internacional que funcione, porque a verdade é que de todos os acordos internacionais sobre meio ambiente o único que funcionou foi o de Montreal", declarou, em entrevista à Efe.

No chamado Protocolo de Montreal, a comunidade internacional entrou em acordo quanto à proibição de CFC (clorofluorcarbono), gases que, por excesso de acumulação na atmosfera, danificaram a camada de ozônio.

Desafio

Molina reconheceu que mudar a percepção dos países em desenvolvimento com relação à mudança climática é uma tarefa árdua.

Isso porque, embora países como Brasil e México já comecem a perceber a real dimensão do problema, o tratam como um assunto a ser resolvido em longo prazo.

"Temos de aprender com os erros e apostar em um modelo de desenvolvimento que no início pode custar em termos econômicos um pouquinho mais, mas que com o tempo ficará mais barato", disse.

O cientista mexicano detalhou que atualmente se dispõe de tecnologias que podem ser mais rentáveis no médio e longo prazos do que o uso indiscriminado de combustíveis fósseis. Citou como exemplo a obtenção de energia por fonte eólica e solar e os biocombustíveis.



Escrito por Redação Gaian às 16h28
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Nobel de Física defende "nova sociedade" para conter mudanças no clima

da Efe, em Potsdam

Os efeitos socioeconômicos da mudança climática estão sendo tão devastadores que a única maneira de impedir a catástrofe é inventar uma nova sociedade, afirmou o ganhador do Prêmio Nobel de Física de 1984, o italiano Carlo Rubbia.

"Estamos de acordo com o diagnóstico: estamos em estado crítico. É preciso criar uma nova sociedade", afirmou Rubbia. Ele é um dos 15 Nobel reunidos em Potsdam para debater com 30 economistas e cientistas as conseqüências da mudança climática.

O encontro, aberto e apoiado pela chanceler alemã, Angela Merkel, chega ao fim nesta quarta-feira (10), com a adoção de um memorando para a Conferência sobre o Clima da ONU (Organização das Nações Unidas). O evento será realizado em dezembro na Ilha de Bali, na Indonésia.

Rubbia, que previu uma "revolução energética", argumentou que a solução para o problema criado pela mudança climática é econômica, política, moral e científica.

Para ele, não basta somente reduzir as emissões nocivas, mas também desenvolver um modelo energético novo.

"Precisamos de novas fontes de energia abundantes e baratas. Eu, pessoalmente, só vejo duas: a energia solar e a nuclear", afirmou Rubbia.



Escrito por Redação Gaian às 16h23
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Maioria dos americanos dizem aceitar mais impostos para combater crise climática

da Folha Online

Mais de 70% dos norte-americanos dizem estar dispostos a pagar mais impostos para custear iniciativas do governo para reduzir o aquecimento global. Este é um dos resultados de uma pesquisa da empresa GfK Public Affairs e a Universidade Yale, divulgada nesta quinta-feira (4).

O estudo revela por exemplo que 74% dos americanos poderiam apoiar a criação de leis determinando que todas as novas casas fossem mais eficientes em termos de energia, mesmo que o custo inicial da obra ficasse maior em US$ 7.500 (cerca de R$ 13.600).

Enquanto isso, 72% dos entrevistados afirmaram que apoiariam um aumento de US$ 5 (R$ 9) nas taxas mensais sobre as residências, caso o governo fornecesse subsídios para a instalação de geradores de energia solar nas nas casas já existentes.

Também no quesito energia domiciliar, 53% das pessoas ouvidas disseram apoiar a cobrança de taxas nas contas de luz para estimular a população a gastar menos eletricidade. Entretanto, a hipótese de elevar o custo do galão de gás em US$ 10 centavos (R$ 18 centavos), com o mesmo objetivo, foi rejeitada pela maioria dos entrevistados (64%).

A pesquisa foi publicada pelo site norte-americano ScienceDaily.

 



Escrito por Redação Gaian às 14h27
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UNESCO APROVA 23 NOVAS RESERVAS DA BIOSFERA EM 18 PAÍSES

da Efe, em Paris

A Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) aprovou 23 novas reservas mundiais da biosfera em 18 países, entre elas oito na América Latina.

A inscrição dos novos lugares na rede mundial foi decidida pela mesa do conselho internacional de coordenação do programa Homem e Biosfera (MAB, em inglês) da Unesco, reunido em Paris desde o dia 18 para analisar 33 candidaturas de 21 países.

El Salvador entra pela primeira vez na lista, com as reservas de Apaneca-Llamatepec, a oeste, onde está situado o vulcão Santa Ana (o mais alto do país), e de Xiriualtique Jiquitizco, que constitui a maior extensão de mangues do território salvadorenho.

Outros países que estréiam na rede de reservas mundiais da biosfera são Catar (Al-Reem) e Emirados Árabes Unidos (Marawah).

Argentina, Chile, Costa Rica, Equador e México foram os outros países latino-americanos que tiveram novas reservas inscritas na lista.

Na Argentina, foram declaradas reservas da biosfera as regiões de Andino Norpatagonica, muito importante para a proteção de ecossistemas de montanha de florestas temperadas e pastoreio, e de Pereyra Iraola, que protege os últimos habitats do rio da Prata.

O Chile teve a candidatura da reserva Bosques Templados Lluviosos de los Andes Australes aprovada. O local inclui ecossistemas de alta montanha e importantes recursos de água.

A reserva Agua y Paz, na Costa Rica, entrou na lista para que se garanta a continuidade ecológica entre a reserva da cordilheira vulcânica central do país e a de Indio Maíz, em território nicaragüense.

No Equador, foi incluída a reserva de Podocarpus-El Condor, situada ao longo da fronteira com o Peru e que conserva importantes ecossistemas de florestas tropicais e de recursos de água.

O México ganhou a reserva Sierra de Álamos-Rio Cuchujaqui, considerada essencial para a preservação dos frágeis ecossistemas do deserto da Sierra Madre e das planícies litorâneas do noroeste.

Entre as 23 novas reservas inscritas há duas em Portugal: a ilha de Corvo, a menor dos Açores, e a ilha Graciosa, também situada no arquipélago.

A Espanha ganhou a nova reserva Rio Eo, Oscos e Terras de Buron, nas Astúrias e Galícia.

A lista é completada com África do Sul (Cabo Winelands), Austrália (Noosa), Vietnã (Western Nghe An), Líbano (Jabal Al Rihane), Canadá (Fundy e Manicouagan Uapishka), Micronésia (And Atoll), Mongólia (Mongol Daguur) e China (Chebaling e Lago Xingkai).

Extensões e retiradas

Além de declarar 23 novas reservas, o programa definiu duas extensões de reservas existentes da biosfera: a de Frontenac, no Canadá e a do Great Volzhsko-Kamsky, na Rússia.

O programa decidiu retirar da rede mundial a reserva de Bayerischer Wald, na Alemanha, porque não corresponde mais, segundo a Unesco, ao marco estatutário adotado em 1995.

Com as decisões tomadas nesta semana, a rede mundial conta agora com 529 reservas em 105 países.

As reservas permitem testar métodos para reduzir a perda de biodiversidade, melhorar os meios de subsistência das povoações e favorecer as condições sociais, econômicas e culturais "essenciais para a viabilidade do desenvolvimento sustentável", segundo a Unesco.

Para a organização, as reservas da biosfera também podem servir como lugares pedagógicos e de experimentação.



Escrito por Redação Gaian às 14h19
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Cientistas descobrem novas espécies na Amazônia

 
Inseto homóptero. Foto: Pedro Lage Viana/Geoma/Divulgação

Inseto homóptero. Foto: Pedro Lage Viana/Geoma/Divulgação

Uma expedição de cientistas realizada este ano revelou novas espécies de animais na região do interflúvio dos rios Purus e Madeira, na região amazônica do Brasil.

Segundo os especialistas, foram achados pelo menos quatro novas espécies de aves e uma nova de macaco.

Além disso, eles identificaram diversos tipos diferentes de insetos e plantas, que ainda estão sendo analisados para se descobrir se são espécies novas ou não.

 

 

"É muito cedo para saber quantas espécies novas nós encontramos", disse à BBC Brasil o biólogo Mario Cohn-Haft, do Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas (INPA), que liderou a expedição.

"O que nós sabemos de cara é que encontramos um macaco novo, que vai ser descrito como uma subespécie por uma tecnicalidade taxonômica, mas que pode também ser considerado uma espécie nova. Ele foi avistado com outro macaco, quase certamente uma espécie nova, mas cujos dados não foram coletados."

"Além disso, foram encontradas na região pelo menos quatro espécies novas de aves."

Grande biodiversidade

Os cientistas divulgaram imagens feitas durante as duas expedições, realizadas em abril e julho deste ano. As imagens da nova subespécie de macaco não foram reveladas, pois devem ser divulgadas apenas após a publicação de artigos científicos.

Um urutau "mãe-da-lua", espécie noturna e exclusivamente neotropical (Nyctibius griseus). Foto: Mario Cohn-Haft/Geoma/Divulgação

Um urutau "mãe-da-lua". Foto: Mario Cohn-Haft/Geoma/Divulgação

Segundo Cohn-Haft, a região do interflúvio Purus-Madeira é uma área de grande biodiversidade dentro da Amazônia, pois possui diversos tipos diferentes de ambientes – desde florestas, campos naturais não-florestais e regiões de bambus.

"Essa heterogeneidade (de ambientes) leva a uma biodiversidade muito grande, porque cada ambiente tem espécies novas. Além disso, há poucos estudos anteriores. É uma parte da Amazônia quase inexplorada."

O Projeto Geoma que promoveu as expedições é formado por entidades científicas de diversas áreas diferentes, entre elas o Inpa, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG).

 

Além do financiamento do ministério de Ciência e Tecnologia do governo brasileiro, através da rede Geoma, os cientistas também fizeram parceria com a Petrobras, que cedeu um helicóptero para uso do projeto.

Os cientistas planejam voltar para a região, mas ainda não organizaram uma nova expedição.



Escrito por Redação Gaian às 19h09
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VEJA A ÍNTEGRA DO DISCURSO DE LULA NA ONU

Começou nesta terça-feira (25) a 62ª Assembléia Geral da ONU

 

Foto: AFP

 

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, discursa na ONU (Foto: AFP)

 

Discurso do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na abertura do Debate-Geral da 62ª Assembléia-Geral das Nações Unidas: Senhoras e Senhores chefes de Estado e de Governo, Senhor Serjam Kerim, presidente da Assembléia-Geral das Nações Unidas, Senhor Ban Ki-moon, secretário-geral das Nações Unidas, Senhoras e senhores delegados.

 

Cumprimento-o, senhor secretário-geral, por ter sido escolhido para ocupar posição tão relevante no sistema internacional. Saúdo sua decisão de promover debates de alto nível sobre o gravíssimo problema das mudanças climáticas. É salutar que essa reflexão ocorra no âmbito das Nações Unidas.

 

Não nos iludamos: se o modelo de desenvolvimento global não for repensado, crescem os riscos de uma catástrofe ambiental e humana sem precedentes. É preciso reverter essa lógica aparentemente realista e sofisticada, mas na verdade anacrônica, predatória e insensata, da multiplicação do lucro e da riqueza a qualquer preço.  Há preços que a humanidade não pode pagar, sob pena de destruir as fontes materiais e espirituais da existência coletiva, sob pena de destruir-se a si mesma. A perenidade da vida não pode estar à mercê da cobiça irrefletida.

 

O mundo, porém, não modificará a sua relação irresponsável com a natureza sem modificar a natureza das relações entre o desenvolvimento e a justiça social. Se queremos salvar o patrimônio comum, impõe-se uma nova e mais equilibrada repartição das riquezas, tanto no interior de cada país como na esfera internacional.

 

A eqüidade social é a melhor arma contra a degradação do Planeta. Cada um de nós deve assumir sua parte nessa tarefa. Mas não é admissível que o ônus maior da imprevidência dos privilegiados recaia sobre os despossuídos da Terra. Os países mais industrializados devem dar o exemplo. É imprescindível que cumpram os compromissos estabelecidos pelo Protocolo de Quioto. Isso contudo não basta. Necessitamos de metas mais ambiciosas a partir de 2012. E devemos agir com vigor para que se universalize a adesão ao Protocolo. Também os países em desenvolvimento devem participar do combate à mudança do clima. São essenciais estratégicas nacionais claras que impliquem responsabilidade dos governos diante de suas próprias populações.

 

O Brasil lançará em breve o seu Plano Nacional de Enfrentamento às Mudanças Climáticas. A Floresta Amazônica é uma das áreas que mais poderão sofrer com o aquecimento do Planeta, mas há ameaças em todos os continentes: elas vão do agravamento da desertificação até o desaparecimento de territórios ou mesmo de países inteiros pela elevação do nível do mar. O Brasil tem feito esforços notáveis para diminuir os efeitos da mudança do clima. Basta dizer que, nos últimos anos, reduzimos a menos da metade o desmatamento da Amazônia. Um resultado como este não é obra do acaso. Até porque o Brasil não abdica, em nenhuma hipótese, de sua soberania e nem de suas responsabilidades sobre a Amazônia.

Os êxitos recentes são fruto da presença cada vez maior e mais efetiva do Estado Brasileiro na região, promovendo o desenvolvimento sustentável – econômico, social, educacional e cultural – de seus mais de 20 milhões de habitantes. Estou seguro de que nossa experiência no tema pode ser útil a outros países. O Brasil propôs em Nairobi a adoção de incentivos econômico-financeiros que estimulem a redução do desmatamento em escala global.

 

Devemos aumentar igualmente a cooperação Sul-Sul, sem prejuízo de adotar modalidades inovadoras de ação conjunta com países desenvolvidos. Assim, daremos sentido concreto ao princípio das responsabilidades comuns, mas diferenciadas. É muito importante o tratamento político integrado de toda a agenda ambiental. O Brasil sediou a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, a Rio-92. Precisamos avaliar o caminho percorrido e estabelecer novas linhas de atuação. Por isso, proponho a realização, em 2012, de uma nova Conferência, que o Brasil se oferece para sediar, a Rio + 20.

 

Senhoras e Senhores,

 

Não haverá solução para os terríveis efeitos das mudanças climáticas se a humanidade não for capaz também de mudar seus padrões de produção e consumo. O mundo precisa, urgentemente, de uma nova matriz energética. Os biocombustíveis são vitais para construí-la. Eles reduzem significativamente as emissões de gases de efeito estufa. No Brasil, com a utilização crescente e cada vez mais eficaz do etanol, evitou-se, nesses 30 últimos anos, a emissão de 644 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera.

 

Os biocombustíveis podem ser muito mais do que uma alternativa de energia limpa. O etanol e o biodiesel podem abrir excelentes oportunidades para mais de uma centena de países pobres e em desenvolvimento na América Latina, na Ásia e, sobretudo, na África. Podem propiciar autonomia energética, sem necessidade de grandes investimentos. Podem gerar emprego e renda e favorecer a agricultura familiar. E podem equilibrar a balança comercial, diminuindo as importações e gerando excedentes exportáveis.

 

Continua ...

 

 

 



Escrito por Redação Gaian às 14h29
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Continuação ...

 

A experiência brasileira de três décadas mostra que a produção de biocombustíveis não afeta a segurança alimentar. A cana de açúcar ocupa apenas 1% de nossas terras agricultáveis, com crescentes índices de produtividade. O problema da fome no Planeta não decorre da falta de alimentos, mas da falta de renda que golpeia quase um bilhão de homens, mulheres e crianças. É plenamente possível combinar biocombustíveis, preservação ambiental e produção de alimentos. No Brasil, daremos à produção de biocombustíveis todas as garantias sociais e ambientais. Decidimos estabelecer um completo zoneamento agroecológico do País para definir quais áreas agricultáveis podem ser destinadas à produção de biocombustíveis. Os biocombustíveis brasileiros estarão presentes no mercado internacional com um selo que garanta suas qualidades sóciolaborais e ambientais. O Brasil pretende organizar em 2008 uma conferência internacional sobre biocombustíveis, lançando as bases de uma ampla cooperação mundial no setor. Faço aqui um convite a todos os países para que participem do evento.

 

A sustentabilidade do desenvolvimento não é apenas uma questão ambiental, é também um desafio social. Estamos construindo um Brasil cada vez menos desigual e mais dinâmico. Nosso país voltou a crescer, gerando empregos e distribuindo renda. As oportunidades agora são para todos. Ao mesmo tempo em que resgatamos uma dívida social secular, investimos fortemente em educação de qualidade, ciência e tecnologia. Honramos o compromisso do Programa Fome Zero ao erradicar esse tormento da vida de mais de 45 milhões de pessoas. Com dez anos de antecedência, superamos a primeira das Metas do Milênio, reduzindo em mais da metade a pobreza extrema no nosso País. O combate à fome e à pobreza deve ser preocupação de todos os povos. É inviável uma sociedade global marcada pela crescente disparidade de renda. Não haverá paz duradoura sem a progressiva redução das desigualdades. Em 2004, lançamos a Ação Global contra a Fome e a Pobreza. Os primeiros resultados são animadores, principalmente a criação da Central Internacional de Compra de Medicamentos.

 

Meus amigos e minhas amigas,

 

A Unitaid já conseguiu reduções de até 45% nos preços dos medicamentos contra a Aids, a malária e a tuberculose destinados aos países mais pobres da África. É hora de dar-lhe um novo impulso. Idéias que tanto mobilizaram nossos povos não podem perder-se na inércia burocrática. Mas a superação definitiva da pobreza exige mais do que solidariedade internacional. Ela passa, necessariamente, por novas relações econômicas que não penalizem os países pobres. A Rodada de Doha da OMC deve promover um verdadeiro pacto pelo desenvolvimento, aprovando regras justas e equilibradas para o comércio internacional.

 

São inaceitáveis os exorbitantes subsídios agrícolas, que enriquecem os ricos e empobrecem os mais pobres. É inadmissível um protecionismo que perpetua a dependência e o subdesenvolvimento. O Brasil não poupará esforços para o êxito das negociações, que devem beneficiar sobretudo os países mais pobres.

 

Senhor Presidente, senhor Secretário-Geral,

 

A construção de uma nova ordem internacional não é uma figura de retórica, mas um requisito de sensatez. O Brasil orgulha-se da contribuição que tem dado para a integração Sul-Americana, sobretudo no Mercosul. Temos atuado para aproximar povos e regiões, impulsionando o diálogo político e o intercâmbio econômico com os países árabes, africanos e asiáticos, sem abdicar de nossos parceiros tradicionais.

 

Criamos – Brasil, África do Sul e Índia – um foro inovador de diálogo e ação conjunta, o IBAS. Temos realizado inclusive projetos concretos de cooperação em diversos países, a exemplo do que fizemos no Haiti e em Guiné-Bissau. Todos concordamos ser necessária uma maior participação dos países em desenvolvimento nos grandes foros de decisão internacional, em particular o Conselho de Segurança das Nações Unidas. É hora de passar das intenções à ação.

 

Notamos, com muito agrado, as recentes propostas do presidente Sarkozy, de reformar o Conselho de Segurança, com a inclusão de países em desenvolvimento. Igualmente necessária é a reestruturação do processo decisório dos organismos financeiros internacionais.

Senhor Presidente,

 

As Nações Unidas são o melhor instrumento para enfrentar os desafios do mundo de hoje. É no exercício da diplomacia multilateral que encontramos os meios de promover a paz e o desenvolvimento.

A participação do Brasil, em conjunto com outros países da América Latina e do Caribe, na Missão de Estabilização no Haiti simboliza nosso empenho de fortalecer o multilateralismo. No Haiti, estamos mostrando que a paz e a estabilidade se constróem com a democracia e o desenvolvimento social.

 

Senhoras e Senhores,

 

Ao entrar neste prédio, os delegados podem ver uma obra de arte presenteada pelo Brasil às Nações Unidas há 50 anos. Trata-se dos murais “Guerra” e “Paz”, pintados pelo grande artista brasileiro Cândido Portinari. O sofrimento expresso no mural, que retrata a guerra, nos remete à alta responsabilidade das Nações Unidas de afastar o risco de conflitos armados.

 

O segundo mural revela que a paz vai muito além da ausência da guerra. Pressupõe bem-estar, saúde e um convívio harmonioso com a natureza. Pressupõe justiça social, liberdade e superação dos flagelos da fome e da pobreza.

 

Não é por acaso que o mural "Guerra" está colocado de frente para quem chega, e o mural “Paz”, para quem sai. A mensagem do artista é singela, mas poderosa: transformar aflições em esperança, guerra em paz, é a essência da missão das Nações Unidas.

 

O Brasil continuará a trabalhar para que essa expectativa tão elevada se torne definitivamente realidade.

 

Muito obrigado.

 

fonte : Do G1, em São Paulo



Escrito por Redação Gaian às 14h27
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O BRASIL QUE DÁ CERTO

Um bosque para a posteridade

Casal de Rondinha, RS, está plantando mudas de árvores para garantir ao filho um espaço verde no futuro

 
Foto: Tadeu Vilani
 
 
Escondida por densas árvores, às margens de uma movimentada rodovia, toma forma no norte gaúcho uma idéia que mistura amor e consciência ambiental.

Preocupado com o desmatamento e com o futuro do único filho, Marco Antônio, de oito meses, um casal de Rondinha lançou um projeto que, antes mesmo de atingir seu objetivo, já traz benefícios ao município de 5 mil habitantes.
 
Batizado com o nome do menino, o Bosque Marco Antônio receberá centenas de árvores nativas, plantadas por familiares, amigos, estudantes e pessoas da comunidade. Inicialmente, 530 mudas serão cultivadas na área de dois hectares, pertencente ao avô materno do menino.
 
Situado ao lado da rodovia Sarandi-Ronda Alta (RS-404), o terreno é acidentado, ao pé de morros, e oferece uma bela vista da região. Para colorir a atividade, foram produzidas dezenas de coletes amarelos, distribuídos aos participantes, onde se lêem os dizeres "Amigos do Marco Antônio e da Natureza".
 
Estudantes da cidade tiveram aula na área
 
Advogado, Márcio Antônio Cardoso, 40 anos, acredita que o filho reconhecerá, quando jovem, o legado que está sendo deixado para ele agora.
 
- Se eu desse só brinquedos, eles estragariam logo, como sempre acontece. Assim, ele terá para sempre um lugar para brincar e sonhar - projeta Cardoso.
 
Para permitir que, quando crescido, o garoto identifique as pessoas que participaram do projeto, cada árvore recebe o nome de quem a plantou. As mudas foram compradas pelo advogado, ao preço de aproximadamente R$ 1 cada. Investimento pequeno para o retorno esperado, na opinião da professora, empresária e mãe, Gevânia Frizon, 37 anos.
 
- Esse aqui vai ser o lugar da vida do Marco Antônio, o refúgio, o ponto dereferência - diz.
 
Ao evitar que o espaço fosse mais um destinado à agricultura ou à pecuária e transformá-lo num recanto ambiental, o casal também possibilitou que alunos da 8ª série do Ensino Fundamental da Escola Municipal Dr. Paulo Schramm, de Rondinha, tivessem uma aula prática sobre as plantas. Na manhã de ontem, cerca de 30 estudantes foram de microônibus até o local para plantar árvores.
 
Confortável com a movimentação, o menino que inspirou o projeto distribuiu sorrisos. Para Marco Antônio, colocar as pequenas mãos na terra fofa foi um prazer. O menino olhava para os que estavam à sua volta e mostrava as plantas no chão, arrancando olhares encantados mesmo de quem acabou de conhecê-lo.
 
O dono do bosque parecia agradecer pelo tesouro verde que crescerá com ele.

(
cleber.bertoncello@ zerohora. com.br)
CLEBER BERTONCELLO | Rondinha

Fonte: Zero Hora - Porto Alegre, RS - 20 09 2007


Escrito por Redação Gaian às 14h53
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SOLUÇÃO AMAZÔNICA

A floresta amazônica, patrimônio de toda a humanidade, cobre, em território brasileiro, cerca de 260 milhões de hectares, dos quais, aproximadamente, 7 milhões de hectares formam a floresta de várzea, e 253 milhões, a grande floresta de terra firme.

Essas coberturas vegetais fazem parte da bacia hidrográfica do rio Amazonas, de superfície bem maior, onde existem outras formas vegetais de menor importância, que representam praticamente 2/3 (dois terços) do território nacional, constituindo-se, em seu todo, um ecossistema extremamente diversificado, integrado, e sobretudo frágil.

Desde o século passado, até o presente, a Amazônia tem sido alvo de tentativas nacionais e internacionais de ocupação de seu espaço.

Na segunda metade do século passado, o governo norte-americano, consoante o livro "A amazônia para os negros americanos", da escritora Nícia Vilela Luz (USP), arrimado em pesquisas na biblioteca de Washington e nos arquivos do Congresso Americano, havia sido elaborado um plano de ocupação do ecossistema para abrigar contingentes de negros daquele país, como objetivo de evitar as condições sócio-econômicas que levaram à eclosão da guerra de secessão.

Em 1946, foi proposta a criação do Instituto da Hiléia Amazônica, que pretendia a internacionalização do território (o que estão a tentar novamente, na atualidade), com entrega de várias áreas à administração e exploração de seus recursos por parte de potências estrangeiras, através de contratos de prazo indeterminado.

Em "A Amazônia e a cobiça internacional", livro do ex-governador amazonense, Arthur César Ferreira Reis, há a proposta do envio de mais de 200.000 (duzentos mil) árabes, do Oriente Médio, para esse estado do norte. O Instituto Hudson propôs a construção de um sistema de barragens destinado a formar o grande lago amazônico, alagando 240 mil quilômetros quadrados da região, o que faria desaparecer mais de 20 municípios do Pará e Amazonas, chegando a inundar grande parte da capital, Manaus.

Todas as propostas foram bloqueadas pela opinião pública brasileira, mas atualmente não é tão simples clamar contra todas as formas agressivas, especialmente quando se trata de questão ecológica! Cremos que será necessário pedir ajuda internacional para conter a tentativa de ocupação amazônica.

G R A V Í S S I M O

A demanda por madeiras é crescente, tanto para o mercado interno, em razão do gradativo desaparecimento das florestas do sul (araucária), completamente devastado, como para o externo, face à tendência da queda de produção nos países asiáticos.

Chega-se, assim, à previsão sombria da formidável pressão sobre o ecossistema, direcionada para os seus produtos de origem vegetal e também sobre seu solo.

Além da exploração madeireira, existem outros projetos em andamento, disfarçados de utilização racional sob a denominação de "política desenvolvimentista da Amazônia", compreendendo: a) projetos agropecuários, que recebem a maior concentração de esforços governamentais, destacando-se, desde logo, a abertura de clareiras necessárias a essa implementação, devidamente registradas por satélites: b) exploração de recursos minerais, com a finalidade de gerar insumos para suprir as indústrias do centro-sul do Brasil e, consequentemente, exportação a preços incrivelmente aviltados; c) exploração energética, por meio de contínua instalação de hidroelétricas como Tucuruí, Balbina, a fim de gerar energia a preços baixos, tanto para Carajás como para "atrair" novos focos de industrialização.

Compreende-se, pois, que a Amazônia sofra, constantemente, assaltos sem precedentes, podendo, obviamente, gerar conseqüências catastróficas para toda a humanidade.

Um balanço feito quanto à evolução das atividades madeireiras, na região, de 1960 a 1970, mostrou que ali estavam a trabalhar, com projetos aprovados pela Sudan, 5 serrarias, produzindo 41.000 m3 (quarenta e um mil metros cúbicos) de serrados, e 94.000 m3 de compensados, consumindo 328.330 m3 de toras.

Em 1976, 10 anos depois, portanto, apenas por 70 empresas que receberam incentivos fiscais, foram consumidos aproximadamente QUATRO MILHÕES de metros cúbicos de toras, ou seja, houve acréscimo superior a MIL POR CENTO, sem computar as serrarias clandestinas, cujo número já atinge quase 10.000!

A atividade agropecuária, recebedora do maior número de recursos e incentivos, por parte do governo brasileiro, é a mais predatória tentativa colonizadora: derrubam-se árvores seculares para formar pastagens que, em breve, acelera o surgimento de desertos, devido à intensa lixiviação do solo, pois este perde, sob a incidência das chuvas, sua camada fértil.

Os métodos empregados na abertura das clareiras, onde formar as pastagens, são os mais pecaminosos possíveis, com utilização de desfolhantes tipo "agente laranja", motosserras, bulldozers equipados com correntões, a derrubada, em minutos, do que a natureza levou séculos para criar; além desse procedimento, outro, pior e mais comprometedor, desrespeitando flora e fauna, é também via comum, as queimadas, de tal proporção, constantemente flagradas por satélites.

Continua...



Escrito por Redação Gaian às 10h26
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continuação...

C O N S E Q U Ê N C I A S

O desmatamento indiscriminado, criminoso, já ocasiona a marginalização dos povos nativos, expulsos pelos grandes latifúndios em direção às favelas expandidas nos subúrbios de Belém, Manaus e outras cidades da região, o que leva, de maneira fatal, ao genocídio dos indígenas!

No plano nacional, o país começa a sofrer as consequências dessa devastação impiedosa que propicia, sobretudo, violentos fenômenos climáticos.

Entretanto, o que está em jogo não é apenas o equilíbrio ecológico do Brasil, ou de parte da América do Sul; segundo cientistas como o Prof. Harald Sioli, do Instituto Max Planck, de Berlim, a destruição do ecossistema amazônico provocará aumento de até 20% de gás carbônico na atmosfera do planeta, podendo ocorrer o degelo de parte das calotas polares, elevando, substancialmente, o nível atual das marés em todos os oceanos. O resultado será, então, dantesco, ocasionando a destruição de considerável número de cidades litorâneas, cataclismo que ameaça o futuro da humanidade.

O ecossistema amazônico é o menos conhecido do planeta, verdadeiro laboratório para o melhor entendimento da vida em nosso Globo, na realidade um ecossistema frágil e sujeito a mais rápida destruição.

Sem a cobertura da mata, o solo está fadado ao empobrecimento veloz, como pode-se comprovar através da observação das pastagens ali desenvolvidas, pois, após o desmatamento, estas se mostram em decadência, impossíveis de se manter, senão através do emprego de técnicas de manejo sofisticadas, que tornam o empreendimento anti-econômico, como ocorreu com o projeto JARI.

Para se ter idéia da deterioração ambiente, em florestas úmidas semelhantes, na África, apurou-se que, numa só região, com e sem mata, sob idêntica quantidade de chuva, o escorrimento superficial na área florestada era de 0,6 m3 por segundo, em m2 e, em área desflorestada, de 27 m3 por segundo, em metros quadrados. Isto comprova haver grande absorção de água, no primeiro caso e , no segundo, enorme perda de água, favorecendo o prejuízo da camada fértil do solo, através da erosão. Ficou evidenciado, também, que este proceder carreia para os rios fantástico volume de terra, assoreando, consequentemente, o sistema fluvial, além de causar deteriorização das condições de vida dos ecossistemas aquáticos.

D R A M Á T I C O

Pior de tudo, dramática mesmo é a situação dos índios. A população indigena que era de 4 a 5 milhões de nativos, por ocasião da descoberta do país, em 1500, esteve reduzida somente a pouco mais de 220.000 seres, em 1990, quando do levantamento feito pela FUNAI (Fundação de Amparo aos Índios), mas este número se refere a toda a população silvícola brasileira.

Particularmente, no ecossistema amazônico, viviam, em 1990, aproximadamente 160.000 índios, mas chega-se a supor que essa população tenha decrescido em virtude do genocídio que ocorre, continuamente, na região, sem que alguma providência efetiva seja tomada para a defesa dos seculares donos da floresta!

REMÉDIO: TOMBAMENTO INTEGRAL

O instituto do tombamento foi criado, no Brasil, pelo Decreto-Lei nº  25, de 30/11/1937, com a finalidade de tornar inalienáveis os bens artísticos, históricos, arqueológicos e paisagísticos, ainda que de propriedade particular, ressalvando-se, entretanto, a possibilidade da execução de obras e serviços, nos locais tombados, após o preenchimento e cumprimento das exigências legais.

Para que se possa proteger, eficazmente, o território, torna-se imprescindível e necessário que o Brasil promova o tombamento integral, amparado pelas ONGs de todo o mundo, pela Unesco, e também pelas potências que sabem da importância de se manter esse fantástico filtro de biosfera, de relevante valor para as atuais e futuras gerações, com vistas ao que se possa extrair dali, em termos de investigação que venha a beneficiar a humanidade, nos campos da química e da farmacopéia.

O zoneamento ecológico-econômico apregoado e defendido por alguns cientistas não possibilitará a defesa do território, eis que, dos bolsões zoneados, partirão invasores para as áreas ainda livres, terminando por destruir o que ali existe!

AME-Associação Mundial de Ecologia, juntamente com a CDPC-Comissão de Defesa do Patrimônio da Comunidade, deu início, nos anos 80, à campanha pela preservação da Amazônia, permitindo que a primeira argumentasse, em 22.2.1989, em ofício dirigido à antiga SPHAN (Secretaria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, do Ministério da Cultura), os pontos básicos para a instituição do tombamento integral do ecossistema.

Essa intenção, contudo, esbarra em dificuldades normais de qualquer movimento que exige mobilização popular, tornando-se necessários apoio e suporte de pessoas físicas e jurídicas conscientes dessa necessidade.

Este capítulo, o mais importante de todos, está consubstanciado no documento ABC do Fraternalismo - Cartilha da Fraternidade, lançado pela AME-Fundação Mundial de Ecologia



Escrito por Redação Gaian às 10h25
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A VINGANÇA DE GAIA, por James Lovelock

 

James Lovelock diz que o efeito estufa chegou a um ponto sem retorno e que "bilhões" morrerão neste século

 

JAMES LOVELOCK ESPECIAL PARA O "INDEPENDENT


Imagine uma jovem policial que se sente totalmente realizada na sua vocação. Então, imagine-a agora ter de dizer a uma família cujo filho estava desaparecido que ele foi encontrado morto, assassinado, num bosque vizinho. Ou pense num jovem médico que tem de dizer ao doente que sua biópsia revelou um tumor agressivo em metástase.

 

Médicos e policiais sabem que muitos aceitam a verdade simples e horrenda com dignidade, mas muitos tentam em vão negá-la.  Nós livramos os juízes da terrível responsabilidade de aplicar a pena de morte, mas ao menos eles tinham algum conforto em suas freqüentes justificativas morais. Médicos e policiais não têm como escapar de seu dever.

 

Este artigo é o mais difícil que eu já escrevi, e pelas mesmas razões. Minha teoria de Gaia diz que a Terra se comporta como se estivesse viva, e qualquer coisa viva pode gozar de boa saúde ou adoecer.  Gaia me tornou um médico planetário e eu levo minha profissão a sério. Agora, também devo trazer as más notícias.

Boa parte das terras tropicais se tornará caatinga e deserto, e não servirá mais para regulação do clima; isso se soma aos 40% da superfície terrestre que nós já devastamos para produzir nosso alimento.
Curiosamente, a poluição por aerossóis no hemisfério Norte reduz o aquecimento global ao refletir a radiação solar de volta ao espaço.  Esse “apagamento global" é transitório e pode desaparecer em poucos dias junto com a fumaça que o carrega, deixando-nos expostos ao calor da estufa global. Estamos num clima de loucos, resfriado acidentalmente pela fumaça, e antes do fim deste século bilhões de nós morreremos e os poucos casais férteis que sobreviverão estarão no Ártico, onde o clima continuará tolerável.

 

Tarefa impossível

 

Ao não perceber que a Terra regula seu clima e sua composição, nós cometemos a trapalhada de tentar fazê-lo nós mesmos, agindo como se estivéssemos no comando. Ao fazer isso, condenamos a nós mesmos ao pior estado de escravidão.  Se escolhermos ser os guardiões da Terra, somos os responsáveis por manter a atmosfera, os oceanos e a superfície terrestre aptos para a vida.  Uma tarefa que logo acharíamos impossível – e algo que, antes de termos tratado Gaia tão mal, ela fazia para nós.

 

Para entender o quão impossível é a tarefa, pense sobre como você regularia a sua temperatura e a composição do seu próprio sangue. Quem tem problemas renais conhece a dificuldade diária inesgotável de ajustar sua ingestão de água, sal e proteínas.  A muleta tecnológica da diálise ajuda, mas não é substituto para rins saudáveis.

 

Meu livro, "A Vingança de Gaia", expande essas idéias, mas você ainda pode perguntar por que a ciência demorou tanto para reconhecer a verdadeira natureza da Terra.  Eu acho que é porque a visão de Darwin foi tão boa e tão clara que demorou até agora para que ela fosse digerida. No tempo dele, pouco se sabia sobre a química da atmosfera e dos oceanos, e teria havido pouca razão para que ele imaginasse que os organismos modificavam seu ambiente além de se adaptarem a ele.  Se fosse sabido à época que a vida e o ambiente estão tão conjugados, Darwin teria visto que a evolução não envolve apenas os organismos, mas toda a superfície do planeta.

 

Nós então poderíamos ter enxergado a Terra como um sistema vivo, teríamos sabido que não podemos poluir o ar ou usar a pele da Terra-seus oceanos e sistemas florestais – como uma mera fonte de produtos para nos alimentar e mobiliar nossas casas. Teríamos sentido instintivamente que esses ecossistemas devem ser deixados intocados porque eles são parte da Terra viva.

 

Então, o que fazer?  Primeiro, precisamos ter em mente a velocidade espantosa da mudança e nos dar conta do quão pouco tempo resta para agir. Então, cada comunidade e nação precisarão usar da melhor forma os recursos que têm para sustentar a civilização o máximo que puderem. A civilização usa energia intensamente, e não podemos desligá-la de forma abrupta; é preciso ter a segurança de um pouso motorizado.

 

Aqui, nas ilhas britânicas, nós estamos acostumados a pensar em toda a humanidade e não apenas em nós; a mudança ambiental é global, mas precisamos lidar com as conseqüências dela aqui. Infelizmente nossa nação é tão urbanizada que se parece mais com uma grande cidade, e temos apenas uma área pequena de agricultura e florestas. Dependemos do mundo do comércio para o nosso sustento; e a mudança climática nos negará suprimentos constantes de comida e combustível do exterior.

 

Nós poderíamos produzir comida o bastante para nos alimentar na dieta da 2ª Guerra, mas a noção de que há terras sobrando para plantar biocombustíveis ou para abrigar usinas eólicas é ridícula.  Nós faremos o possível para sobreviver, mas infelizmente eu não consigo ver os EUA ou as economias emergentes da China e da Índia voltando no tempo – e eles são as maiores fontes de emissões. O pior vai acontecer, e os sobreviventes terão de se adaptar a um clima infernal.

Talvez o mais triste seja que Gaia perderá tanto quanto ou mais do que nós. Não só a vida selvagem e ecossistemas inteiros serão extintos, mas na civilização humana o planeta tem um recurso precioso. Não somos meramente uma doença; somos, por meio da nossa inteligência e comunicação, o sistema nervoso do planeta. Através de nós, Gaia se viu do espaço e começa a descobrir seu lugar no Universo. Nós deveríamos ser o coração e a mente da Terra, não sua moléstia. Então, sejamos corajosos e paremos de pensar somente nos direitos e  necessidades da humanidade, e enxerguemos que nós ferimos a Terra e precisamos fazer as pazes com Gaia. Precisamos fazer isso enquanto somos fortes o bastante para negociar, e não uma turba esfacelada liderada por senhores da guerra brutais. Acima de tudo, precisamos lembrar que somos parte dela e que ela é de fato nosso lar.

 

James Lovelock é autor do livro ‘A Hipótese Gaia’, descreve que o planeta se comporta como um organismo vivo, e também do livro 'A Vingança de Gaia'.

 

Artigo originalmente reproduzido da Folha de São Paulo



Escrito por Redação Gaian às 18h44
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